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Doenças respiratórias: asma, DPOC, pneumonia, sintomas e tratamento

Guia completo de doenças respiratórias: diferenças entre asma e DPOC, tratamento de pneumonia e bronquite, sintomas, tabaco e poluição do ar, segundo GINA 2025, GOLD 2026 e ATS/IDSA.

Escrito por Equipe Our Hub Medical Articles · Equipe editorial médica
15 min de leitura
31 de mai. de 2026
Actualizado 10 de jun. de 2026
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Ilustração médica do sistema respiratório humano com vias aéreas saudáveis e alvéolos comparados com vias aéreas inflamadas na asma e tecido pulmonar enfisematoso na DPOC.

Introdução

As doenças respiratórias constituem uma vasta família de afeções que afetam as vias aéreas, o tecido pulmonar, os vasos sanguíneos pulmonares e a musculatura respiratória. Estão entre as principais causas de incapacidade, hospitalizações e mortalidade em todo o mundo. O projeto Global Burden of Disease classifica as doenças respiratórias crónicas como a terceira causa de morte mundial, a seguir às doenças cardiovasculares e ao cancro.

Dimensão do problema. A asma afeta cerca de 300 milhões de pessoas em todo o mundo e provoca cerca de 1.000 mortes por dia, a maioria evitáveis. A doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) afeta 480 milhões de pessoas e é responsável por mais de 3 milhões de mortes anuais. As infeções respiratórias agudas, incluindo a pneumonia adquirida na comunidade (PAC), representam cerca de 1 milhão de hospitalizações e 50.000 mortes anuais só nos Estados Unidos. O tabaco continua a ser o principal fator de risco modificável das doenças respiratórias crónicas.

Nos últimos dois anos surgiram atualizações significativas: GOLD 2025/2026 para a DPOC, GINA 2025 para a asma e ATS/IDSA 2025 para a PAC.

Este artigo destina-se exclusivamente a fins de informação geral e não constitui aconselhamento médico.

Causas e sintomas

Mapa prático das doenças respiratórias. São habitualmente agrupadas pela estrutura principal afetada e pelo caráter agudo ou crónico.

Doenças das vias aéreas: asma, DPOC, bronquiectasias, bronquite aguda, fibrose quística. Doenças do parênquima pulmonar: pneumonia, doenças pulmonares intersticiais (DPI), sarcoidose, pneumoconioses. Doenças vasculares pulmonares: tromboembolismo pulmonar (TEP), hipertensão pulmonar, edema pulmonar. Perturbações respiratórias do sono: apneia obstrutiva do sono (AOS), apneia central.

Causas e fatores de risco: - Tabaco: causa 80% dos casos de DPOC e pelo menos 80% dos cancros do pulmão. - Poluição exterior (PM2.5, NO2, ozono) e interior (combustíveis de biomassa, fumo passivo, bolor, ácaros do pó). - Exposições ocupacionais: sílica, amianto (latência 20-40 anos), isocianatos, fumos de soldadura. Cerca de 15% da asma adulta é de origem profissional. - Fatores genéticos: atopia para a asma; défice de alfa-1 antitripsina para o enfisema precoce; mutações CFTR para a fibrose quística.

Sintomas por doença: - Comuns: tosse, expectoração, pieira, dispneia, dor torácica, hemoptise, fadiga. - Asma: pieira variável, aperto no peito, tosse; pior de noite e pela manhã; desencadeada por alergénios, exercício, frio, infeções. - DPOC: dispneia de esforço progressiva, tosse produtiva crónica, infeções recorrentes; persistente e progressiva. - Pneumonia: febre, calafrios, tosse produtiva com expectoração purulenta, dor pleurítica, dispneia. - TEP: dispneia súbita, dor pleurítica, taquicardia; sempre a considerar em dispneia aguda inexplicada.

Comparação entre asma e DPOC

Ambas são doenças crónicas das vias aéreas com dispneia, tosse e obstrução, mas diferem no mecanismo, idade de início, reversibilidade, tratamento e prognóstico.

CaracterísticaAsmaDPOC
Mecanismo principalInflamação crónica (frequentemente alérgica/eosinofílica), broncoespasmo variávelInflamação crónica das pequenas vias aéreas + destruição alveolar (enfisema); frequentemente neutrofílica
Idade típica de inícioInfância, adolescência, adultos jovensHabitualmente após os 40 anos com 10+ maços-ano
TabagismoVariável, frequentemente ausenteQuase sempre presente (mais de 80% dos casos)
Padrão de sintomasVariável, episódico, desencadeado por fatoresDispneia persistente e progressiva, especialmente com o esforço
Reversibilidade na espirometriaSignificativa: VEMS melhora >= 12% e 200 ml após broncodilatadorLimitada ou ausente; VEMS/CVF pós-BD permanece < 0,7
Tratamento de referênciaCSI-formoterol (GINA 2025)LABA ou LAMA, frequentemente combinados; CSI se exacerbações ou eosinófilos elevados
Biológicos disponíveisOmalizumabe, mepolizumabe, benralizumabe, dupilumabe, tezepelumabeDupilumabe (FDA 2024), ensifentrina (nebulizador, 2024)

Diagnóstico

1. Anamnese e exame físico: padrão sintomático, maços-ano, exposições ocupacionais/ambientais, alergias, antecedentes familiares.

2. Provas de função respiratória: - Espirometria: VEMS, CVF, VEMS/CVF antes e após broncodilatador. - Reversibilidade: aumento do VEMS >= 12% e 200 ml = positivo (asma). - VEMS/CVF pós-BD < 0,7 confirma a DPOC (GOLD 2025/2026). - FeNO: elevado na asma eosinofílica; orienta a resposta aos CSI. - Monitorização do PFE em casa: diagnóstico e controlo da asma.

3. Análises laboratoriais: hemograma, PCR e procalcitonina em caso de pneumonia suspeita, gasometria arterial nas formas graves, hemocultura em pneumonia grave, PCR gripe/VRS/SARS-CoV-2, alfa-1 antitripsina (uma vez em cada doente com DPOC).

4. Imagiologia: radiografia de tórax (primeira linha), TC de alta resolução (TCAR: DPI, bronquiectasias), angio-TC pulmonar (TEP), TC de baixa dose anual (rastreio de cancro do pulmão, USPSTF 2021).

5. Pontuação de gravidade na PAC: CURB-65 (0-1 ambulatório, 2 internamento, 3+ considerar UCI); PSI: mais preciso, preferido pela ATS/IDSA.

Tratamento

A. Asma (GINA 2025): - CSI-formoterol em SOS é o broncodilatador de alívio preferido em todos os degraus (substituindo SABA isolado). - Degrau 1-2: CSI-formoterol dose baixa em SOS. - Degrau 3: CSI-formoterol manutenção dose baixa + SOS (MART). - Degrau 4: CSI-formoterol manutenção dose intermédia + SOS. - Degrau 5: referenciar ao especialista; considerar biológicos. - Biológicos: omalizumabe (anti-IgE), mepolizumabe/benralizumabe (anti-IL-5), dupilumabe (anti-IL-4Rα), tezepelumabe (anti-TSLP).

B. DPOC (GOLD 2025/2026):

  • Cessação tabágica é a intervenção mais importante.
  • Grupo A: um broncodilatador. Grupo B: LABA + LAMA. Grupo E: LABA + LAMA; adicionar CSI se eosinófilos >= 300/μl.
  • Novos fármacos: ensifentrina (nebulizador, FDA jun. 2024, primeira nova classe em 30 anos); dupilumabe (FDA set. 2024, primeiro biológico para DPOC).
  • Não farmacológico: reabilitação pulmonar, vacinas, oxigenoterapia de longa duração, VNI.

C. PAC (ATS/IDSA 2025):

  • Ambulatório sem comorbilidades: amoxicilina 1 g 3 vezes/dia, ou doxiciclina, ou macrólido (resistência local < 25%).
  • Com comorbilidades: amoxicilina-ácido clavulânico/cefalosporina + macrólido ou doxiciclina, ou fluoroquinolona respiratória.
  • Internamento: betalactâmico + macrólido, ou fluoroquinolona respiratória.
  • Duração: 5 dias se estável ao dia 5.

D. Bronquite aguda: habitualmente viral; antibióticos não estão indicados; tratamento sintomático.

Impacto multissistémico

As doenças respiratórias raramente são isoladas.

  • Cardiovascular: a DPOC duplica o risco de EAM, AVC e insuficiência cardíaca. Após exacerbação, o risco CV grave é 20 vezes superior nos primeiros 7 dias.
  • Metabólico: a obesidade agrava a asma e a DPOC; a caquexia na DPOC avançada é um preditor de mortalidade.
  • Músculo-esquelético: disfunção muscular esquelética na DPOC (melhora com reabilitação); osteoporose mais frequente.
  • Saúde mental: ansiedade e depressão em 20-40% dos adultos com DPOC ou asma grave.
  • Sono: DPOC + AOS ("síndrome de sobreposição") agrava o risco CV e a mortalidade.
  • Oncologia: o risco de cancro do pulmão na DPOC é 4-7 vezes superior; TC de baixa dose anual reduz a mortalidade em cerca de 20%.

Sinais de alerta

Emergência (ligue 112 em Portugal, 192 SAMU ou 193 Bombeiros no Brasil): - Dispneia grave em repouso, incapacidade para falar em frases completas, sensação de sufocação. - Cianose (lábios, dedos ou rosto azulados). - Sonolência, confusão ou incapacidade de se manter acordado durante um episódio respiratório. - "Tórax silencioso" num asmático conhecido (ausência de pieira com distress grave). - Dor torácica súbita e intensa com dispneia (TEP, pneumotórax, SCA). - Hemoptise (mais de uma colher de chá). - Dispneia súbita com inchaço de perna (TEP). - Estridor com sialorreia ou disfagia.

Sinais de alarme na asma: inalador de alívio > cada 4 horas ou ineficaz; PFE < 50% do melhor pessoal; alteração da consciência. Sinais de alarme na DPOC: dispneia em repouso claramente aumentada; nova cianose ou edemas periféricos; alteração do estado mental. Sinais de alarme na pneumonia: FR > 30, SpO2 < 92%, confusão, PAS < 90, sem melhoria após 48-72 h de antibióticos.

Quando consultar o médico

Ligue 112 (Portugal) ou 192/193 (Brasil) de imediato em caso de: 1. Dispneia grave em repouso com incapacidade para completar uma frase. 2. Cianose dos lábios ou extremidades. 3. Confusão, sonolência ou perda de consciência durante um episódio respiratório. 4. Dor torácica intensa súbita com dispneia. 5. Hemoptise abundante. 6. Estridor com disfagia ou sialorreia. 7. Crise de asma grave com PFE < 50% do melhor pessoal, sem resposta ao inalador de alívio. 8. Suspeita de TEP: dispneia súbita, dor torácica, taquicardia, especialmente após cirurgia ou imobilização. 9. Suspeita de pneumotórax: dor torácica unilateral súbita com dispneia. 10. Pneumonia grave em idosos ou imunodeprimidos.

No próprio dia ou no dia seguinte: dispneia que agrava, febre + tosse purulenta + dor pleurítica, crise de asma melhorada mas não resolvida, DPOC com nova expetoração amarela/verde.

Consulta programada: revisão anual, vacinações, técnica inalatória, apoio à cessação tabágica.

Conselhos práticos

  1. Deixe de fumar. Esta única mudança supera qualquer outra intervenção respiratória.
  2. Evite o fumo passivo e a poluição interior: ventilação ao cozinhar, filtro HEPA no quarto, controlo de ácaros e bolor.
  3. Monitorize a qualidade do ar exterior: evite exercício ao ar livre em dias de alta poluição; use máscara N95 em fumo de incêndios.
  4. Plano de vacinação: gripe anual, pneumocócica segundo a idade, COVID-19 atualizado, VRS a partir dos 60 anos.
  5. Técnica inalatória correta: 70% dos utentes cometem pelo menos um erro; verifique em cada consulta; use câmara expansora com MDI.
  6. Conheça o seu plano de ação da asma: verde (sem sintomas), amarelo (sintomas, necessita alívio), vermelho (grave, PFE < 50%).
  7. Exercício regular mas inteligente: 150 min/semana de aeróbico moderado + 2-3 sessões de força; reabilitação pulmonar para DPOC.
  8. Mantenha um peso saudável.
  9. Trate as comorbilidades: rinite alérgica, DRGE, ansiedade/depressão, AOS.
  10. Rastreio de cancro do pulmão: adultos 50-80 anos com >= 20 maços-ano: TC de baixa dose anual (USPSTF 2021).

Perguntas frequentes

Quais os sintomas mais comuns de uma doença respiratória? Tosse, expectoração, pieira, dispneia, aperto no peito, hemoptise, fadiga e intolerância ao esforço. O padrão orienta o diagnóstico: pieira variável com alergénios/frio sugere asma; dispneia progressiva + tosse produtiva em fumador > 40 anos sugere DPOC; febre + tosse purulenta + dor pleurítica sugerem pneumonia.

Diferença entre asma e DPOC? Asma: inflamação alérgica/eosinofílica, variável, reversível, início frequente na infância. DPOC: obstrução persistente e progressiva por destruição alveolar, quase sempre após tabagismo prolongado, não completamente reversível (VEMS/CVF pós-BD < 0,7).

Tratamento das infeções respiratórias? Bronquite aguda: viral, sem antibióticos, apenas sintomático. PAC: antibióticos necessários. Sem comorbilidades: amoxicilina, doxiciclina ou macrólido. Duração: 5 dias se estável.

Prevenção? Sim, para muitas. Não fumar é a ação mais eficaz. Vacinações, redução da poluição interior, peso saudável, exercício físico. O rastreio com TC de baixa dose anual reduz a mortalidade por cancro do pulmão em cerca de 20%.

Efeitos do tabaco no sistema respiratório? Paralisa os cílios, inflama as vias aéreas, aumenta o muco. Cronicamente: bronquite crónica, enfisema, perda de função pulmonar 2-3 vezes mais rápida. Deixar em qualquer idade reduz o risco de cancro do pulmão em cerca de 50% em 10-15 anos.

Quando consultar por tosse persistente ou dispneia? Tosse > 3 semanas, sangue na expectoração, perda de peso inexplicada, dispneia nova ou progressiva. Emergência imediata: dispneia grave em repouso, cianose, confusão, dor torácica com dispneia, hemoptise importante.

Resumo

As doenças respiratórias vão desde infeções agudas (pneumonia, bronquite aguda) até perturbações crónicas (asma, DPOC, DPI, cancro do pulmão). O principal fator modificável é o tabaco, seguido da poluição atmosférica, exposições ocupacionais e fatores genéticos.

O tratamento moderno baseia-se em GOLD 2025/2026, GINA 2025 e ATS/IDSA 2025. Principais mudanças: na asma, CSI-formoterol como alívio preferido; na DPOC, dupilumabe (2024) e ensifentrina (nova classe). As intervenções de maior impacto: cessação tabágica, vacinação, técnica inalatória correta, reabilitação pulmonar e gestão de comorbilidades.

Referências

  1. GOLD. 2026. https://goldcopd.org/2026-gold-report/
  2. GOLD. 2025. https://goldcopd.org/2025-gold-report/
  3. GINA. 2025. https://ginasthma.org/wp-content/uploads/2025/05/GINA-2025_tracked-for-archive-WMSA.pdf
  4. Metlay JP et al. CAP Guidelines. Am J Respir Crit Care Med. 2019. https://www.atsjournals.org/doi/10.1164/rccm.201908-1581ST
  5. ATS/IDSA. CAP 2025 Update. https://www.guidelinecentral.com/insights/nov-2025-atsidsa-cap-guideline-timeline/
  6. USPSTF. Lung Cancer Screening. JAMA. 2021. https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/2777244
  7. Bhatt SP et al. Dupilumab for COPD. N Engl J Med. 2023. https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2303951
  8. Anzueto AR et al. Ensifentrine COPD. Am J Respir Crit Care Med. 2023. https://www.atsjournals.org/doi/10.1164/rccm.202306-1097OC
  9. WHO. COPD 2023. https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/chronic-obstructive-pulmonary-disease-(copd)
  10. WHO. Asthma 2024. https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/asthma
  11. CDC. Smoking 2024. https://www.cdc.gov/tobacco/about/index.html

Pontos-chave

  • Tabaco: principal fator de risco de DPOC e cancro do pulmão; cessação tabágica é a intervenção mais eficaz.
  • GINA 2025: CSI-formoterol, não SABA isolado, como alívio preferido na asma.
  • GOLD 2025: primeiro biológico (dupilumabe) e primeira nova classe em 30 anos (ensifentrina) para DPOC.
  • Bronquite aguda: viral, sem antibióticos. Pneumonia: antibióticos necessários.
  • Espirometria indispensável antes de iniciar tratamento crónico.
  • Vacinação anual (gripe, pneumocócica, VRS, COVID-19) reduz hospitalizações.
  • Após exacerbação de DPOC: risco CV grave 20 vezes superior nos primeiros 7 dias.
  • Dispneia grave + cianose + confusão = emergência. Ligue 112 (Portugal) ou 192 (Brasil).

Aviso médico

Este artigo destina-se exclusivamente a fins informativos e educativos e não constitui aconselhamento médico, diagnóstico ou recomendação terapêutica. Em caso de emergência médica em Portugal: 112. Brasil: 192 (SAMU) ou 193 (Bombeiros).

Referências

  1. Ver a secção ## Referências acima.

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